PANACÉIA DELIRANTE

sábado, 4 de abril de 2009

Indigente, Indigesto

Quem passa pelo Canela sabe,
Existe um mendigo que passa horas girando um pedaço de ferro na esquina da Reitoria. Alguns dias passo e ele está fazendo desenhos em giz no chão, algo aparente complexo pois ele para, reflete, apaga o desenho, procura respostas... Procuro respostas...
Quando entrei na Escola de Teatro ele era apenas um mendigo, nunca me pediu dinheiro é verdade, mas não apresentava traços de demência. Hoje, gira ferros, faz desenhos no chão e conversa sozinho, enlouquecido pela fome, faço questão de repetir: Enlouquecido pela fome diante dos meus olhos passivos.
E agora José?

3 comentários:

Fulô de Pitanga [Laura Franco] disse...

Este homem provocou-me à pouco: mijava num poste, encontava seu corpo neste, escondia um pouco o rosto e cobria ao máximo com suas mãos o seu pênis. silencioso e com movimentos reduzidos, mijava em local público.

Era discreto.

A loucura que sempre me chegou como a essência do descontrolado, do desmedido, do insensato, da iminência do caos, ou mesmo este propriamente dito, foi, naquele instante, a imagem mais concreta do que possa ser o CUIDADO.

Assisti àquele homem cuidadosamente dar cabo de uma necessidade fisiológica no meio da rua e neste ato ser tão gentil e respeitoso comigo: cidadã, pedestre, mulher, jovem. Tudo porque seu corpo me falava todo tempo: não se preocupe, menina, não deixarei nada de mal lhe acontecer. não verás qualquer coisa que possa te incomodar ou agredir.

e ele, com seu corpo-fala dizia verdade tão sinceras que chego a cogitar a possibilidade de seu mijo ser inodoro, ínsipido... imaterial. incapaz de sujar, de feder... fora neutralizado pelo CUIDADO daquele LOUCO homem.

Monique Monteiro Almeida disse...

Este homem sempre me intrigou, sempre.
Nunca fui indiferente a ele, em meus pensamentos, digo, mas ele me dá medo. Já ouvi que ele é violento às vezes. No entanto, é preciso dizer, que, em se tratando de sua mendigagem, ele é um gentleman. Nunca o vi pedir nada a ninguém, mas o galego da barraca de frutas me disse que quando ele tem dinheiro, ele compra fruta lá. Por outro lado, se lhe dão alguma fruta sem que ele peça, ele a larga em qualquer lugar.

Dizem que volta e meia ele aparece são, de barba e cabelo feitos, com roupas limpas e guarda carros na rua.
Sinceramente não acho que a causa de sua loucura seja a fome, acho que ele precisa é de remédios constantemente, de um tratamento psiquiátrico. Pelo menos foi o que
me deu a entender o homem da barraca de frutas.

Monique Monteiro Almeida disse...

coloquei vírgulas demais...