PANACÉIA DELIRANTE

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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Dois e um


Uma estrofe de apaga
Quando faço a sentinel
Os beijos que dei-te em versos
São os beijos que dás a ela

A mesma lua que agora
Invade a minha janela
É a lua que admiras
Quando está pensando nela

À noite, te invado o sonho
Pura, linda, tal donzela
Não o encontro. Ai de mim!
Deve estar no sonho dela. 

Lara Couto
(24/08/2007)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Fraqueza




Porque não é só isso
Nem tudo isso
Não é tanto
Tampouco, é nada
Para muito, falta tanto.
Para aquilo, falta quase.
Para mais, falta coragem.
Para o fim, falta o impulso.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Estetoscópio

Sim
Não
Razão
Emoção
Vida
Morte
Azar
Sorte
Dinheiro
Prestação
Desejo
Paixão
Emprego
Calção
Casa
Apartamento
Alegria
Sofrimento
Prosa
Poesia
Noite
Dia
Verdade
Fantasia
Palha
Alvenaria
Previdência
Folia
Sem nenhuma determinação:

Bate

Por indecisão:

Apanha

segunda-feira, 15 de março de 2010

Caríssimo

Careço
Muito carisma
Pouco caroço

Ciso

Beijo caro
Dia claro

Caríssimo

Noite inteira
Bebedeira
Riso
-Mas o que estou falando?
- Quem tem a ver com isso?

domingo, 7 de março de 2010

Nem

Chove lá fora
Hoje não saio
Nem para comprar o pão
Nem para pagar a conta
Não devolvo o filme
Não farei visita
Hoje não
Hoje nada
Chove lá fora
Faltou luz na rua de trás
Na outra alagou
Uma encosta cedeu
Uma criança nasceu debaixo de um ponto de ônibus
Muitos carros alagaram
Alguns foram perdidos
O seguro não cobre
A mulher toma banho no jardim
Crianças choram devido ao trovão
Um marca-passo parou.
Um homem compõe uma canção
Outro faz poesia
Ela acabou o livro
Ele dormiu
Um come pipoca
Outro tem pneumonia
Agora faz sentido
Por isso, não
Chove muito lá fora
Hoje não saio,
Nem de mim...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Desconfiança





“... E eu, que sempre me julguei feliz, suspeitei:

- É possível ser ainda mais?

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O mar me disse:

Deixa que vem... Deixa que passa... A maré sempre volta, ainda que sejam outras, as águas...

Para Lara...


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Declaração de amor de um farmacêutico à sua namorada

Na sua presença, menina
Esse homem comprimido
Se transforma em aspirina.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

...

Hoje alguma coisa quis ser dita
Lida
Escrita
Talvez chorada
Ou talvez rida

Procurei, procurei
Não encontrei palavra
Nenhuma arte escrita
Nem imagem desenhada
Tampouco fruta comida

Triste fim para um poema
Nem ao menos encontrou
Um tema

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Constatação

Se agente,
Tivesse noção do quanto a vida é urgente,
Morria,
Talvez de pressa,
Talvez de agonia.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Mentiras para dormir

Este moço que se achega
Com fome de tudo
Me envolve, aconchega
E fica mudo

Mente

E quando me faz louca, mente.
Sua cara simples, mente.
De maneira tão discreta, mente.
Que acredito totalmente.

Mente

Este moço, a malandragem,
Sem blusa listrada
Nem muita linhagem
Rouba-me beijos, até os negados

Os mentirosos são os mais dados
Falsos beijos que somente
Em sua boca se encaixam
Completamente,
Sinceramente.


Lara Couto

domingo, 22 de novembro de 2009

curta crônica


Em frente a si o lago cristalino
O dia quente
O céu limpo

Despiu-se lentamente:
Vestido
Sapatos
Roupas de baixo

Por fim tirou a primeira pena
A segunda,
Arrancou-lhe as próprias asas e entrou na água.

Anjo...
Completamente despido

Não lhe interessa mais os mistérios acima de sua cabeça
Estes já conhece...
Agora é a profundeza que lhe inquieta,
Atrai-lhe,
Chama-lhe...

Cair também é uma escolha

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Em minha defesa declaro que sou

Inocente
Não no sentido de não ter culpa
Errei sim, admito
Mas foi por falta de maldade
E até nos momentos de malícia
Fui ingênua.
Quando depravada
Mentirosa
Ácida,
Quando fui uma boa menina má,
O era inocentemente.
Juro!
Existe em meus piores atos
(e nos melhores também)
Uma inspiração folhetinesca
Romântica...
Acho que vi muita novela.

Perdoai-me senhor, que não sei o que faço
E ainda sim, faço.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Fichamento

Se por algum decreto,
Ou a título de reflexão
Todas as minhas dúvidas
Fossem registradas
Numeradas
Catalogadas
Não seriam necessárias caixas e mais caixas
Apenas uma caixa de sapato
Ou melhor, de fósforo
Onde escreveria num post it amarelo:

QUANDO?

terça-feira, 13 de outubro de 2009



Cuidado !
Ela é atriz
E carrega em si as dores do mundo
E guarda o segredo dos papéis não inventados
Cuidado !
Ela é única e ao mesmo tempo, muitas
E ao mínimo estimulo se despe em moralidades
Veste-se de despudores (ou seria o contrário?)
Cuidado!
Ela tudo observa
E traduz-se em poesia guardada em silencio
Cuidado que ela canta músicas por dentro
E sonha acordada
Dorme acordada
E acorda no meio da noite
Ela é só perguntas
Ela é só olhares
Ela que é Pathos
A cidade, seu cenário
A vida, seu enredo
O eu, o seu mais difícil papel

sábado, 26 de setembro de 2009

Cheiro


Cheiro...
Cheiro de pão quente
Cheiro de gente
Cheiro de chuva
De maresia
Bolo no forno
De roupa limpa
Banho tomado
Que delicia! Na Bahia
Cheiro pode ser roubado...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Genesis

No principio era o caos
E depois foi o verbo
O verbo
O verbo
O verbo

Eis que nasce a burocracia!

sábado, 5 de setembro de 2009

Poeminha contrariado

Era o dia certo, a hora certa, tinha lembrado
Conferi e tudo em minha agenda amarela
Seis horas, saí. Não havia chegado
Dez horas, nem sinal havia dela

Três horas, já estava angustiado
Antes do sono, chego à janela
Grito, esbravejo ao céu, indignado
Lua malcriada, não te vi tão bela!

De que adianta estar cheia, mas vestida de nuvens?

Alguém terá sentido sua falta, como eu?
Deixa, que mais tarde o sol nasce e me acompanha
Ele, pobre coitado, sofre o mesmo mau que eu.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Adúltera




De que lhe importa de fujo nas noites sem lua, se caio em outros braços, se ouço outros homens ou se bebo de outras bocas se volto ao raiar do dia para chorar em seu colo minhas dores de amor¿

Para: Chico Buarque, Vinicius de Moraes e Tom Jobim

sábado, 22 de agosto de 2009

Mania

Que mania agente tem
de querer levar sem comprar...
Chegar sem andar...
Ganhar sem trabalhar...