PANACÉIA DELIRANTE

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Seu Zé...

Nesta madrugada faleceu uma figura importantíssima para o teatro baiano. Não era ator, diretor, cenógrafo, figurinista, iluminador ou outra coisa do gênero. Seu ofício? Platéia e amigo da arte dramática.

Seu Zé freqüentava diariamente, numa disciplina espartana, a Escola de Teatro da UFBA há muitos – sabe-se lá quantos – anos. Aquele senhor baixinho, careca e bigodudo era presença certa em todas as estréias e re-estréias de alunos e ex-alunos. Digo isso porque Atire a primeira pedra... cumpriu seis temporadas entre 2008 e 2009, em todas, ele estava presente, assim como esteve em minhas mostras acadêmicas no período de faculdade.

Reza a lenda de que Seu Zé era funcionário da UFBA, quando foi transferido temporariamente para a Escola de Teatro. Encantou-se com o universo artístico, e terminado o prazo estabelecido de permanência, pediu sua transferência definitiva. Como seu pedido lhe fora negado, pediu demissão e se decretou um servidor autônomo (ou guardião da Escola, nas palavras de Paulinha). Quando entrei para o curso de interpretação, Seu Zé já acumulava muitos anos de vigília e de audiência.

Hoje, soube do seu falecimento pouco antes de entrar em cena, não pude ir ao velório, que foi nesta tarde. Lamento a perda de uma figurinha tão marcante, que diferente de mim, nada pedia ao teatro, não aparentava esperar qualquer tipo de reconhecimento (a não ser, alguns convites).

A Bahia perde um espectador fervoroso! Um amante do teatro!

Dedico-lhe essas linhas, não na intenção em transformá-lo em santo, mas na tentativa de perpetuá-lo na memória, nem que seja a de um modesto blog.

3 comentários:

Milena Flick disse...

Larinha, na verdade seu Ze voltou para Escola de Teatro por amor... Ele se apaixonou por uma funcionaria da Escola. Seu Ze foi um daqueles eternos apaixonados!

Lara Couto disse...

Que maravilha saber disso...

Monique Monteiro disse...

Oh, quem era essa tal funcionária? Ainda trabalha lá?
Poxa, afastada da Escola, eu só soube dessa triste notícia por aqui... Que pena!
Gostei muito desse seu texto, principalmente do início, quando define o ofício teatral de Seu Zé.
Um beijo, Larinha.