PANACÉIA DELIRANTE

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Operária em construção


Agente começa a construir uma coisa. Por exemplo, imaginemos uma casa. Agente prepara o terreno, faz a base, começa a levantar as paredes, cuida da alvenaria com todo o carinho, pinta, lixa, ajeita a afiação, a tubulação, confere a ventilação, os telhados e todos os detalhes para que a casa fique impecável. Nada disso adianta entretanto se agente não se afastar da casa, não olhar de longe se as paredes estão retas, se as cores combinam, se o telhado está uniforme. Tão importante quanto o vínculo com a obra é o saber desvincular.
Quão importante é o saber se afastar (o modo e o momento)...
Se agente se apega demais, perde a visão do conjunto, fica alienado, iludido, preso na ideia da casa que se está construindo quando na verdade se está construindo uma outra coisa.
Se agente se afasta demais, perde os detalhes, não sente o cheiro da tinta, não se suja com o cimento, não se envolve, fica frustrado pensando em como a casa deveria ser, sem aproveitar como ela está, seja para usufruir ou para aprimorar.
Esse negócio de construção é muito complicado. Por mais que agente se esforce para que termine logo é TIJOLO POR TIJOLO.
Paciência

Um comentário:

Fulô de Pitanga [Laura Franco] disse...

não há um momento para se afastar da casa... outro para se aproximar dela... são atos simultâneos, um precisa do outro para existir, para fazer algum sentido. o se afastar e o se aproximar são movimento e contra-movimento um do outro, sendo ainda assim um e outro ao mesmo tempo.

ps:. adorei ver-te. adorei conversar. principalmente ouvir. saudade.