PANACÉIA DELIRANTE

sábado, 28 de janeiro de 2012

Sem mais distanciânsias

Nada mais bonito que a saudade morta
Ver a saudade esmagada entre dois corpos
Uns chamam isso de abraço
Eu não chamo de nada
Não chamo nem de morte
Que saudade não se extingue
É preciso que se mate todos os dias
E se morra com e por ela, como disse o poeta:
“Tão lindo morrer de amor e continuar vivendo”...

Dispensa dedicatórias...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

No berro!


Eu era menina. Tinha doze anos e tive que fazer uma cirurgia na boca. É que meu corpo produz mais dentes do que eu precisava. O dentista disse que a gente precisa se livrar do que está sobrando, daquilo que apenas ocupa espaço e não tem utilidade.  Mas eu tinha apenas doze anos e nada entendia sobre excessos.
Na véspera da cirurgia eu confessei meu medo á minha irmã, que ouvia tudo sem paciência.
- Estou com medo...
- Do dentista?
- É... tenho medo de doer.
- Se doer, você GRITA!
- Gritar?
- Grita pra ele saber que machucou!
Aquilo fez muito sentido aos doze anos, mas hoje faz muito mais...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A festa

.. Foi ali, parada na pista de dança, cinco doses de bebida na cabeça, zonza pela bebida, zonza pelas luzes, zonza pela danças, que vi: o desenlace amoroso do casal em meio à festa. Assistindo ao beijo de cinema, mordendo os lábios de ciúme, eu  pensei em Foucault. Era uma sexta feira à noite, mas eu só pensava em Foulcault, nas relações de poder, na aprendizagem pela violência, pela necessidade da agressão para evoluir. Eu maldisse a doçura e o medo. Quis pedir a um estranho que me desse um tapa na cara.
É preciso levar um tapa para perder o medo da surra.
É preciso levar um fora para perder o medo da rejeição.
É preciso levar um chifre para perder o medo de ser traído.
E foi assim que aconteceu: do meio da pista de dança, desejei para mim todos os males do mundo (ou quase todos). Quis praticar todos os vícios. Mas a luz da sua luxúria me deu uma aula de filosofia. Hoje eu não penso como ontem e acordo disposta a bater, pois acredito que alguém, assim como eu, deve estar precisando de um bom tapa para acordar...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Prestando contas

"Alguém talvez possa estranhar a queda de freqüência na minha escrita. Não é por falta de tempo, ou de disposição. Apenas anda difícil escrever qualquer coisa que não me dê vontade de desdizer no dia seguinte. Então, em dias como esse, onde nada se conclui, nada se sabe, onde o desejo nega o bom-senso e vice-versa, o melhor é ficar calado. O mais prudente é pegar aquele disco do Belchior, ouvir de traz para frente e ficar pensando exaustivamente até não pensar em absolutamente nada. E que o acaso nos proteja do desvio!"

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Cartão postal

Essa é a história de uma garota que não gosta de cartões postais: Achava sem graça.
Era uma garota, dessas que faz declarações em público, ri de si mesma e de suas implicâncias sem motivo.
Mas era uma garota que chegou em casa meio desanimada e encontrou um envelope sobre a mesa com o seu endereço. Mas como? Quem lhe disse tal informação? A existência do envelope era realmente uma surpresa. Até então, ela nem o havia aberto, mas já estava contente de ver seu endereço escrito em letras cursivas, com tanto cuidado, de ver o nome do remetente no verso do papel.
Aí ela abriu o envelope: olhou para a foto do postal, leu o que havia escrito...
Essa é uma história trágica: Do dia em que morreu uma garota que não gostava de postais.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Tomara!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Quebra-cabeça



São pequenos pactos
Acordos de ser e não ser
Comer e não comer
Ir e não ir
Fazer e não fazer
Que nos mudam
De fora para dentro
E mostram
Que precisamos cuidar
Da gente.
Depois de quebra muitos desses pactos
A gente
Aprende.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

croniquinha para o futuro

Hoje, subindo do ônibus, o ladrão levou meu celular.
Levou junto suas fotos, as mensagens, os registros de chamadas perdidas. Na agenda, ficou seu telefone, ainda naquele apelido. Agora tudo corre, já no bolso do menino.
Vai trocar por uma lata
Um pacote
Uma dose.
Vão dizer :
- Não vale nada.Tá velho. Não tem câmera.
Já vejo o menino chingando:
- Vadia.
Tudo isso acontecendo muito longe do meu apartamento, de onde ligarei para bloquear o aparelho. O celular já é passado.

- E você?
 
2010

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A Seta e o Alvo

Eu falo de amor à vida,
Você de medo da morte.
Eu falo da força do acaso
E você de azar ou sorte.

Eu ando num labirinto
E você numa estrada em linha reta.
Te chamo pra festa,
Mas você só quer atingir sua meta.

Sua meta é a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.
Eu olho pro infinito
E você de óculos escuros.

Eu digo: "Te amo!"
E você só acredita quando eu juro.
Eu lanço minha alma no espaço,
Você pisa os pés na terra.

Eu experimento o futuro
E você só lamenta não ser o que era.
E o que era?

Era a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu grito por liberdade,
Você deixa a porta se fechar.
Eu quero saber a verdade
E você se preocupa em não se machucar.

Eu corro todos os riscos,
Você diz que não tem mais vontade.
Eu me ofereço inteiro
E você se satisfaz com metade.

É a meta de uma seta no alvo,
Mas o alvo, na certa não te espera!

Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?

Sempre a meta de uma seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?

domingo, 9 de outubro de 2011

A ARTE DE AMAR

 Há um ano, eu dediquei esse poema a meu grande amigo Anderson. Lembrei disso hoje. E como eu ainda acho mais que digna a homenagem, e como o poema ainda me arrebata, me desconcerta, o posto de novo.  É sempre bom reviver o que é bom...


Manuel Bandeira

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus – ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Travesseiro

Travesseiro
Consolo para quem não possui um eco pro Boa Noite!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Carta número 23




Meu bem,
                Escrevo agora, em tom de confissão, para não te contar os detalhes do ocorrido: Sonhei contigo! Desenterrei uma saudade tão finda, que precisou ser reinventada. Levantei num longo suspiro e entrei no banho, fugindo do teu cheiro:
                Sabonete                                       
                               Xampu
                                               Hidratante
                                                                              Desodorante
                                                                                                                             Perfume...
                Te neguei e te afirmei durante todo o dia e fui dormir no mesmo suspiro que me tirou da cama. Nosso encontro fortuito me encheu de falsa alegria, uma alegria solitária, tão egoísta que não te telefonei para contar do sonho e nem tampouco o revelo nesta carta. Fugi de ti para prolongar meu engano. E se te evito no real, no sono te chamo.