PANACÉIA DELIRANTE

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terça-feira, 17 de maio de 2011

O poeta pede ao seu amor que lhe escreva



Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.
O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.
Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de kordiscos e açucenas.
Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.

Garcia Lorca

Este poema está em um dos programas do MINUTOS DE POESIA, 

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Narciso

Oscar Wilde: Narciso

O DISCÍPULO

Quando Narciso morreu, o seu lago de prazer passou de
uma taça de doces águas para um cálice de lágrimas salgadas,
e as Ninfas dos Montes lamentaram-se, enquanto atravessavam
os bosques, no seu dever de cantar ao lago e reconfortá-lo.
E quando elas viram que o lago tinha mudado da uma taça
de doces águas para um cálice de lágrimas salgadas, soltaram
as tranças verdes dos seus cabelos e choraram para o lago, dizendo-lhe:
«Não estamos admiradas que mergulhes dessa ma-
neira no luto por Narciso, tão belo ele era..
«Mas, o Narciso era belo?», perguntou o lago.
«Quem o poderá saber melhor do que tu?», responderam as
Ninfas. «Por nós passou ele sempre mas foi por ti que procurou
e se deitou nas tuas margens e olhou para ti. E foi no espelho
das tuas águas que reflectiu a sua própria beleza.»
E o lago respondeu:
«Mas eu amei Narciso porque enquanto ele se alongava sobre as minhas margens e olhava para mim,
em baixo, no espelho dos seus olhos, eu vi sempre a minha beleza reflectida.»

Oscar Wilde
Poemas em prosa
Tradução do original de Possidónio Cachap

sábado, 3 de abril de 2010

Meu mundo ficaria completo

"Não é porque eu sei que ela não virá que eu não veja a porta já se abrindo
E que eu não queira tê-la, mesmo que não tenha a mínima lógica nesse raciocínio
Não é que eu esteja procurando no infinito a sorte
Para andar comigo
Se a fé remove até montanhas, o desejo é o que torna o irreal possível
Não é por isso que eu não possa estar feliz, sorrindo e cantando
Não é por isso que ela não possa estar feliz, sorrindo e cantando
Não vou dizer que eu não ligo, eu digo o que eu sinto e o que eu sou"




Trecho da música "Meu mundo ficaria completo", de Nando Reis (composição)

quarta-feira, 31 de março de 2010

Quem é o autor?

Achei esse texto em outro blog e resolvi postar. Como acontece com frequência, as pessoas esquecem de dar o crédito, citando os autores daquilo que publicam. Eu, por exemplo, adoraria saber de quem é essa crônica:

Toca o telefone da casa...

- Alô.

- Alô, poderia falar com o responsável pela linha?

- Pois não, pode ser comigo mesmo.

- Quem fala, por favor?

- Edson


- Sr. Edson, aqui é da Telefônica, estamos ligando para oferecer a promoção da Telefônica uma linha adicional, onde o Sr. tem direito...

- Desculpe interromper, mas quem está falando?

- Aqui é Rosicleide Judite, da Telefônica, e estamos ligando....

- Rosicleide, me desculpe, mas para nossa segurança, gostaria de conferir alguns dados antes de continuar a conversa, pode ser?

- Bem, pode.

- De que telefone você fala? Meu bina não identificou.

- 10331.

- Você trabalha em que área, na Telefônica?

- Telemarketing Pro Ativo.

- Você tem número de matrí­cula na Telefônica?

- Senhor, desculpe, mas não creio que essa informação seja necessária.

- Então terei que desligar, pois não posso ter segurança que falo com uma funcionária da Telefônica. São normas de nossa casa.

- Mas posso garantir...

- Além do mais, sempre sou obrigado a fornecer meus dados a uma legião de atendentes sempre que tento falar com a Telefônica.

- Ok.... Minha matrícula é 34591212.

- Só um momento enquanto verifico.(Dois minutos depois)

- Só mais um momento.(Cinco minutos depois)

- Senhor?

- Só mais um momento, por favor, nossos sistemas estão lentos hoje.

- Mas senhor...

- Pronto, Rosicleide, obrigado por ter aguardado. Qual o assunto?

- Aqui é da Telefônica, estamos ligando para oferecer a promoção, onde o Sr. tem direito a uma linha adicional. O senhor está interessado, Sr. Edson?

- Rosicleide, vou ter que transferir você para a minha esposa, porque é ela que decide sobre alteração e aquisição de planos de telefones.

- Por favor, não desligue, pois essa ligação é muito importante para mim.(coloco o telefone em frente ao aparelho de som, deixo a música Festa no Apê do Latino tocando no Repeat (quem disse que um dia essa droga não iria servir para alguma coisa?), depois de tocar a porcaria toda da música, minha mulher atende:

- Obrigado por ter aguardado.... pode me dizer seu telefone pois meu bina não identificou..

- 10331.

- Com quem estou falando, por favor.

- Rosicleide

- Rosicleide de que?

- Rosicleide Judite (já demonstrando certa irritação na voz).

- Qual sua identificação na empresa?

- 34591212 (mais irritada agora!)..

- Obrigada pelas suas informações, em que posso ajudá-la?

- Aqui é da Telefônica, estamos ligando para oferecer a promoção, onde a Sra tem direito a uma linha adicional. A senhora está interessada?

- Vou abrir um chamado e em alguns dias entraremos em contato para dar um parecer, pode anotar o protocolo por favor.....

alô, alô!TUTUTUTUTU...


Desligou.... nossa que moça impaciente!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Da Maior Importância

Minha obsessão desta vez voltou a ser Caetano. Se preparem para uma enxurrada de letras. Essa é queridinha de Camila, Hebe, Paulinha e minha também. Para quem quiser escutar milhões de vezes (merece!):

http://letras.terra.com.br/caetano-veloso/180835/

Da Maior Importância

Foi um pequeno momento, um jeito
Uma coisa assim
Era um movimento que aí você não pôde mais
Gostar de mim direito
Teria sido na praia, medo
Vai ser um erro, uma palavra
A palavra errada
Nada, nada
Basta quase nada
E eu já quase não gosto
E já nem gosto do modo que de repente
Você foi olhada por nós

Porque eu sou tímido e teve um negócio
De você perguntar o meu signo quando não havia
Signo nenhum
Escorpião, sagitário, não sei que lá
Ficou um papo de otário, um papo
Ia sendo bom
É tão difícil, tão simples
Difícil, tão fácil
De repente ser uma coisa tão grande
Da maior importância
Deve haver uma transa qualquer
Pra você e pra mim
Entre nós

E você jogando fora, agora
Vá embora, vá!
Há de haver um jeito qualquer, uma hora!
Há sempre um homem
Para uma mulher
Há dez mulheres para cada um
Uma mulher é sempre uma mulher etc. e tal
E assim como existe disco voador
E o escuro do futuro
Pode haver o que está dependendo
De um pequeno momento puro de amor

Mas você não teve pique e agora
Não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique
Você não teve pique
E agora não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique
Mas você
Não teve pique
E agora
Não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique

terça-feira, 23 de março de 2010

Alice e o Chapeleiro

Alice suspirou entediada: "Acho que vocês poderiam fazer alguma coisa melhor com o tempo", disse, "do que gastá-lo com adivinhações que não têm resposta"


quarta-feira, 3 de março de 2010

Citando:

A dor é inevitável
O sofrimento é opcional

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 1 de março de 2010

Falando em só-dade...


Para Ana Paula...

"(...)Macunaíma tornou a enfiar o tembetá no beiço. Então pensou muito sério na dona da muiraquitã, na briguenta, na diaba gostosa que batera tanto nele, Ci. Ah! Ci, Mãe do Mato, marvada que tornara-se inesquecível porque fizera ele dormir na rede tecida com os cabelos dela!...
"Quem tem seus amores longe, passa trabalhos trianos..." parafusou. Quê caborge da marvada!... E estava lá no campo do céu banzando nuns trinques toda enfeitada passeando brincando quem sabe com quem... Teve ciúmes. Ergueu os braços pro alto assustando os legornes e rezou pro Pai do Amor:

Rudá! Rudá! Tu que estás no céu E mandas nas chuvas.
Rudá! faz com que minha amada Por mais companheiros que arranje, ache que todos são frouxos! Assopra nessa marvada sodades do seu marvado! Faz com que ela se lembre de mim amanhã quando a Sol for-se embora no poente !...

Olhou bem pro ar. Não tinha Ci não, Capei só, gordanchona, tomando tudo. O herói deitou de comprido na igarité, fez um cabeceiro da gaiola e adormeceu entre maruins piuns muriçocas. (...)"

Trecho do livro Macunaíma de Mário de Andrade

domingo, 28 de fevereiro de 2010

A questão social

Eu nada entendo da questão social.
Eu faço parte dela, simplesmente...
E sei apenas do meu próprio mal,
Que não é bem o mal de toda gente,

Nem é deste Planeta... Por sinal
Que o mundo se lhe mostra indiferente!
E o meu Anjo da Guarda, ele somente,
É quem lê os meus versos afinal...

E enquanto o mundo em torno se esbarronda,
Vivo regendo estranhas contradanças
No meu vago País de Trebizonda...

Entre os Loucos, os Mortos e as Crianças,
É lá que eu canto, numa eterna ronda,
Nossos comuns desejos e esperanças!


Mário Quintana

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Hipótese

"– A vida, senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais [...] A vida das gentes neste mundo, senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia.Pisca e mama, pisca e brinca, pisca e estuda, pisca e ama, pisca e cria filhos, pisca e geme os reumatismos, e por fim pisca pela última vez e morre. – E depois que morre?, perguntou o Visconde. – Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?"

Monteiro Lobato, In Memórias da Emília

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Textos por todos os lugares

Durante minha viagem, tive contato com uma grande diversidade de textos. Bons textos! Nos sites, nas paredes, na boca das pessoas; um universo de versos e prosas colorindo minhas férias.

Hoje colocarei um texto que li durante minha visita ao Museu da Língua Portuguesa, estava na praça da língua. Pertence a Nelson Rodrigues, retirado de: Morrer com o ser amado – 1968.


"Se o homem soubesse amar não elevaria a voz nunca, jamais discutiria, jamais faria sofrer. Mas ele ainda não aprendeu nada. Dir-se-ia que cada amor é o primeiro e que os amorosos dos nossos dias são tão ingênuos, inexperientes, ineptos, como Adão e Eva. Ninguém, absolutamente, sabe amar. D. Juan havia de ser tão cândido como um namoradinho de subúrbio. Amigos, o amor é um eterno recomeçar. Cada novo amor é como se fosse o primeiro e o último. E é por isso que o homem há de sofrer sempre até o fim do mundo - porque sempre há de amar errado."

sábado, 30 de janeiro de 2010

Hoje é sábado

Como não tive inspiração para escrever nada nesses dias e não encontrei nenhum texto que mexesse comigo, decidi colocar o texto Dia da Criação na íntegra, ainda mais porque hoje é efetivamente sábado:

DIA DA CRIAÇÃO

Vinicius de Moraes
Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na Cruz para nos salvar.
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.
Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.

II

Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado.
Há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado.
Há um homem rico que se mata
Porque hoje é sábado.
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado.
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado.
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado.
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado.
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado.
Há um grande espírito de porco
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado.
Há criancinhas que não comem
Porque hoje é sábado.
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado.
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado.
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado.
Há um tensão inusitada
Porque hoje é sábado.
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado.
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado.
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado.
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado.
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado.
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado.
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado.
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado.
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado.
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado.
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado.
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado.
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado.
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado.
Há a comemoração fantástica
Porque hoje é sábado.
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado.
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado.
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado.

III

Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens, ó Sexto Dia da Criação.
De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas
E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra
E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra
Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.
Na verdade, o homem não era necessário
Nem tu, mulher, ser vegetal dona do abismo, que queres como as plantas, imovelmente e nunca saciada
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias
Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa
Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos
Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas em queda invisível na terra.
Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes
Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia
Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda e missa de sétimo dia,
Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das águas em núpcias
A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio
A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em cópula.
Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos
Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas
Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo
E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente
Porque era sábado.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Metáfora

Gilberto Gil

Uma lata existe para conter algo
Mas quando o poeta diz: "Lata"
Pode estar querendo dizer o incontível

Uma meta existe para ser um alvo
Mas quando o poeta diz: "Meta"
Pode estar querendo dizer o inatingível

Por isso, não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata
Na lata do poeta tudonada cabe
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha caber
O incabível

Deixe a meta do poeta, não discuta
Deixe a sua meta fora da disputa
Meta dentro e fora, lata absoluta
Deixe-a simplesmente metáfora

sábado, 23 de janeiro de 2010

Manual da Mulher Bem Resolvida



Aproveitando o fim de semana, chegou a hora de expor o meu lado mais fútil nesse espaço. O texto de hoje eu retirei de um blog chamado Manual do cafajeste (para mulheres) no qual um “cafa” assumido (quando solteiro) explica um pouco da mente masculina para as leitoras desavisadas. O blog é divertidíssimo e até minha amiga que é feminista gosta, porque o rapaz escreve bem e muita coisa tem fundo de verdade, mesmo que infelizmente.

Mas então... Trata-se de um texto que está circulando na internet chamado: Manual da Mulher bem resolvida – regras básicas. A versão que publico é a comentada pelo “cafa”, que não se identifica:



Manual da Mulher Bem Resolvida

Regras básicas

1º Se ele se interessou, ele liga!!!!
É isso mesmo, quando o cara quer,
não tem projeto importante,
morte da tia ou trânsito maluco que o impeça
de te convidar pra sair.

Cafa: Bom isso eu já mencionei num dos primeiros posts que eu escrevi. Realmente tem que vir do homem o interesse em ligar pra mulher. O problema é que muitas vezes chapado na balada eu anotei errado o telefone da garota, e torcia pra que ela me ligasse no dia seguinte (o que nunca aconteceu). Pra não correr esse risco troque msn (ninguém tem compromisso de ligar e a conversa acaba rolando mais tranquila).



2º Passou uma semana sem ouvir notícias dele?
Esquece, parte para outra!
Ligar para saber se tá tudo bem, nem pensar!
Homem que tá perdido merece ser encontrado morto
no apartamento, e pelo zelador do prédio,
porque os vizinhos não agüentam mais o fedor de carniça….

Cafa: Não seja chiclete, nenhum homem suporta grude. Se ele tem interesse por você, vai te ligar com certeza. Se em uma semana ele não deu notícias é meio estranho, mas não dá para tirar conclusões. Pode ligar sim (uma vez!), e ai pelo tom da voz dele você vai saber se o cara não está nem ai.




3º Vocês saíram e ele não ligou mais.
Foi porque você cedeu? Ou foi porque você não cedeu?
Na verdade, pouco importa.
Se o que ele estava a fim era de sexo, e rolou, ótimo!
Sexo é que nem pizza: bom-até-quando-é-ruim..

Mas se você não cedeu, ele provavelmente
não te procurou mais porque achou que ia dar muito trabalho.
Ou seja, pare de se atormentar porque transou ou não!!!

R: É mais complexo que isso. Você pode ser um porre, o papo não fluiu, não teve química, você tem bafo, etc, etc Se rolou sexo e foi bom, ele vai ligar sim, homem nenhum abandona uma mulher se o sexo não for bom (mesmo que o relacionamento se resuma a isso). Se não rolou, mas você é uma pessoa que vale a pena investir, ele vai ligar. Hoje em dia arrumar uma pessoa interessante está cada vez mais difícil.


Duas lições: dar uma de difícil
depois de uma certa idade já era !!!
Ridículo é fazer tipinho!!!
E além do mais você vai se arrepender
de ter cedido e de não ter cedido….

Cafa: Tai uma verdade. Mulher mais velha dar uma de difícil não rola.


4º Homens Comprometidos – diga não!!!
A relação dele tá em crise, péssima,
só falta oficializar o fim??? Ótimo!
Se ele quiser continuar infeliz, dane-se!
Senão, ele termina de uma vez e depois te procura,
combinado?

Cafa: Concordo plenamente. Se você é amante é gosta de viver assim, ok. Agora se tem a ilusão que ele vai terminar com a número um pra ficar com você, espera sentada. Se está cômodo tirar casquinha de duas, pra que ficar só com uma?




5º Ouviu aquela clássica: “Você é boa demais pra mim…”
Acredite, amiga! É mesmo!!!”
Descarte o cidadão
e pare de bancar a Madre Tereza de Calcutá!

Cafa: Frase boba. Homem que diz isso é tosco. Cai fora.

6º Não tente…
Não dá pra namorar um cara
pelo qual você não tem um mínimo de admiração.

Cafa: Nada vê. Admiração a primeira vista é rara. Você passa a admirar a pessoa depois de conhecê-la melhor.

7º Traição…
Não continue com um cara que te chifrou
se você não agüentar a onda de ser traída de novo.
E olho vivo se ele já foi infiel com outras.
A gente sempre acha que com a gente vai ser diferente….
Esqueça!!! Nunca é!!!

Cafa: Certíssima. Se chifrou uma vez, chifra outra. Você não é melhor que ninguém. Se aparecer algo mais interessante, o cara vai jantar fora.


10º E atenção! A “Fila Anda”!!! ”
Pior do que nunca achar o homem certo,
é viver pra sempre com o homem errado”

Cafa: Concordo.


Nosso lema a partir de hoje:
“O homem que não dá assistência
Abre a concorrência
e perde a preferência.”

Cafa: Isso funciona para ambos os sexos.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Quintana e Renoir




Não tenho certeza, mas acho que tenho compartilhado com os leitores desse blog o meu sofrimento para conseguir uma boa noite de sono. Hoje, depois de tanta luta, finalmente dormi bem, como um anjo (a melhor noite se sono de 2010)! Então acordei “daquele” jeito, vi passarinhos de todas as cores da aquarela, dei bom-dia à cavalo, e estou uma vontade doida de dançar ciranda, tomar banho de chuva – e outras que não vem ao caso.
Vou colocar (de novo) então, um poema que para mim é um hino à vida, assim como acredito que ela deve ser :
• Louca
• Desvairada
• E romanizada, como as telas de Renoir...
Hoje, nem minhas cólicas tirarão meu humor! Mas, vamos ao poema:


A canção da vida

A vida é louca
a vida é uma sarabanda
é um corrupio...

A vida múltipla dá-se as mãos como um bando
de raparigas em flor
e está cantando
em torno a ti:

Como eu sou bela
amor!
Entra em mim, como em uma tela
de Renoir
enquanto é primavera,
enquanto o mundo
não poluir
o azul do ar!
Não vás ficar
não vás ficar
aí...
como um salso chorando
na beira do rio...

(Como a vida é bela! como a vida é louca!)

Mário Quintana



Como não resisto, posto também três frases do pintor:


"A dor passa, mas a beleza permanece."

"Porque a Pintura não pode ser Bela? O Mundo já tem coisas desagradáveis demais."

"Não dou um nu por terminado até que tenha a sensação de que possa beliscá-lo."

(tirado de http://bethccruz.blogspot.com/2009/02/renoir-arte-impressionista-de-imagens.html)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ata-me

É... Estou numa fase meio introspectiva, quase melancólica, talvez meditabunda.

Trancada em meu quarto, deixando Cazuza rouco, lendo Leminski, pensando pouco, escrevendo muito, dormindo tarde, acordando tarde, ouvindo Zélia Duncan. Hoje eu escutei Zélia o dia todo, fucei letras desconhecidas, procurei as musicas, ouvi uma, duas, três vezes. A idéia era escolher uma para postar. Era para escolher uma pouco famosa, mas acabei ficando com uma meio batidinha (a Nova Brasil FM toca sempre), mas que tem uma letra ótima e que vale a pena ser escutada num dueto entre Zélia e Frejat com seu grave maravilhoso.

Para ouvir, o link está aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=CRS-28jjxaM


Mãos Atadas

Composição: Simone Saback

Tenho as mãos atadas ao redor do meu pescoço
Eu queria mesmo era tocar seu corpo
Reprimo meus momentos
Jogo fora os sentimentos
E depois?

Depois toco meu corpo eu tenho frio
Sou um louco amargurado e até vazio
E me chamam atenção
Mas eu sou louco é de paixão
E você?

Você que me retire desse poço
Eu sei ainda sou moço pra viver
E te ver assim tão crua
A verdade é toda nua
E ninguém vê

Eu tenho as mãos atadas sem ação
E um coração maior que eu para doar
Reprimo meus momentos
Jogo fora os sentimentos sem querer

Eu quero é me livrar
Voar
Sumir
Perder não sei, não sei, não sei querer mais
A qualquer hora é sempre agora chora
Quero cantar você

Vou fazer uma canção liberte o meu pensar
Aperte os cintos pra pousar
Agora é hora de dizer muito prazer sorte ou
azar e amar
Simplesmente amar você


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

domingo, 10 de janeiro de 2010

Sobre mim

Retirado de "Cazuza, por ele mesmo - Cazuza - 1990"

Às vezes, fico triste, mas não consigo me sentir infeliz. Acho que o tédio é o sentimento mais moderno que existe, que define o nosso tempo. Tento fugir disso, pois tenho uma certa tendência ao tédio. Mas, felizmente, eu sou animadérrimo! Sou muito animado pra sentir tédio. Sou animado à beça, qualquer coisa me anima. Se você me convida pra ir à Barra da Tijuca, eu já digo logo: Vaaaamos!!! Qualquer besteira me anima. Tudo que já passei na minha vida não conseguiu tirar essa animação.

Eu me sinto sempre ganhando presentes. Se faço uma entrevista e leio depois no jornal, acho tudo o máximo, o texto, a foto… Estou sempre ganhando brinquedos. Minha vida é muito assim: sempre morrendo de rir, nunca com tédio. E quer saber de uma coisa? O que salva a gente é a futilidade.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Destino

Não discuto
com o destino
o que pintar
eu assino.

Paulo Leminski

domingo, 3 de janeiro de 2010

Soneto da espera


Algumas amigas minhas não entendem e acham Vinicius de Morais um pouco cínico quando contei que, para ele, o fluxo de mulheres que passaram pelos seus braços ocorria de maneira tão natural, que era como se a mulher de hoje o preparasse para a mulher de amanhã, o jogasse nos braços da próxima...

Eu particularmente acho uma belíssima visão, pois concede a todos os romances vividos (até os mais curtos) o seu devido valor, sua importância num processo de aprendizagem. Drummond escreveu o livro Amar se aprende amando, concordo. A cada “dono” o amor se descobre e se renova, muda de endereço mas leva a mobília.

Hoje descobri esse soneto, de Vinicius de Morais, posto para que o poeta fale por si:


Soneto da Espera
Aguardando-te, amor, revejo os dias
Da minha infância já distante, quando
Eu ficava, como hoje, te esperando
Mas sem saber ao certo se virias.

E é bom ficar assim, quieto, lembrando
Ao longo de milhares de poesias
Que te estás sempre e sempre renovando
Para me dar maiores alegrias.

Dentro em pouco entrarás, ardente e loura
Como uma jovem chama precursora
Do fogo a se atear entre nós dois

E da cama, onde em ti me dessedento
Tu te erguerás como o pressentimento
De uma mulher morena a vir depois